Histórico


    A idéia de recriar o homem é muito antiga. Um dos primeiros autômatos da história surgiu por volta do
século VI, em Praga, na forma de lenda. Ele recebeu o nome de Golem que, em hebraico, significa algo
como "substancia imperfeita ou embrionária".Tal como Deus criou o homem do barro, contam os judeu
que o Golem nasceu como um tosco boneco de argila, criado pelo rabino Judah Loew bem Bezulel para
proteger os judeus da comunidade das constantes perseguições . Para dar vida à argila, o rabino
pronunciou varias letras sagradas em um secretíssimo ritual da Cabala, a tradição mística judaica. O
Golem tornou-se então um fiel e poderoso protetor da população, mas, aos poucos, adquiriu consciência,
passou a reclamar status de ser humano e fugir do controle. A história termina mal, quando ele se
apaixona pela filha do rabino, que acaba destruindo a imperfeita criatura. Mais tarde, a história do Golem
iria se repetir em história como a do monstro de Frankestein, da escritora inglesa Mary Shelley. O médico
suíço Victor Frankestein monta um ser humano a partir de partes de cadáveres e dá-lhe vida com choques
elétricos. Rejeitado e incompreendido pelos seres humanos, o monstro acaba se tornado violento e
também precisa ser destruído.

    Mas é com o advento do computador que a inteligência artificial deixa o terreno da ficção e arranha os
limites da realidade. O cientista britânico Alan Turing foi um dos pioneiros nesse campo, na década de 40.
Foi ele o criador do famoso "teste de Turing", no qual o filósofo americano John Searle inspirou-se para
propor o teste do quarto chinês, por meio do qual seria possível distinguir o homem do computador . O
teste propõe que se imagine um quarto fechado, dentro do qual existe um computador ou um chinês . A
função do ocupante do quarto é traduzir texto do chinês para o Inglês. Do lado de fora, um examinador
envia mensagens, por baixo da porta, escrita em chinês, e recebe do quarto a tradução em Inglês. O
examinador é livre para escrever o que quiser. A pergunta que coloca é a seguinte: será que podemos criar
um computador tal que nenhum examinador será capaz de distinguir, pelas traduções, se dentro daquele
quarto encontra um chinês ou um computador ? Alan Turing estava convencido de que era absolutamente
possível criar esse computador . Para todos os efeitos, a crença de Turing está no início de toda a
pesquisa sobre inteligência artificial. ( Revista : Galileu Galilei)

    Somente no inicio da decacada de 70 o início do namoro entre Inteligência Artificial e a Medicina. E este namoro ficou conhecido como Inteligência Artificial Médica (IAM).

    Por mais de 20 anos, os pesquisadores têm desenvolvido Sistemas Especialistas Médicos - programas de computadores que em algum ponto contêm conhecimento médico de um especialista humano. De fato, a medicina tem área de aplicação tradicional de interesse para pesquisadores de Inteligência Artificial. Uma publicação inteira de Inteligência Artificial foi dedicado à Inteligência Artificial Médica (IAM) em 1978, e contínuos esforços foram revistos recentemente por Shortliffe e podem ser vistos em uma publicação especial de Sistemas Especialistas com Aplicações.

    O primeiro sistema especialista em medicina foi desenvolvido no início dos anos 70 pelo Dr. Edward Shortliffe, da Universidade de Stanford, EUA. O programa, que se chama MYCIN, recomenda a seleção de antibióticos  em casos de bacteremia ou meningite, baseado em características do organismo infeccioso e em dados clínicos do paciente, tais como o local de infecção, sinais, sintomas e outras condições médicas associadas. Embora não tenha sido o primeiro programa de apoio à decisão, foi o primeiro a usar conhecimento simbólico em um formato baseado em regras. Ao longo das duas últimas duas décadas, os métodos de criação de sistemas especialistas foram incorporados ao repertório padrão de técnicas usadas por muitos softwares comuns, como o Windows.

    De início, a IAM era uma grande comunidade de pesquisa baseada nos Estados Unidos. A maioria dos
sistemas de pesquisa foram desenvolvidos para auxiliar no processo de diagnósticos.

    Depois da euforia inicial, com a promessa de programas de diagnósticos, seguiu-se uma crescente
desilusão com tais sistemas. A maioria deles não passaram dos laboratórios de pesquisa, parcialmente
porque não ganharam apoio suficiente dos clínicos para permitir sua introdução em tarefas diárias. Muitos
outros se transformaram em sistemas especialistas educacionais.

    Neste período foram desenvolvidos vários sistemas de apoio a decisão médica de variadas complexidades, entre eles temos:

    1.ABEL: identificação de distúrbios eletrolíticos e ácidos-básicos e aconselhamento terapêutico.
    2.VM: interpretação e consulta sobre terapia intensiva em relação a pacientes em estado grave.
    3.PIP: consulta e diagnóstico na medicina interna e nefrologia.
    4.DTA: consultas sobre terapias com digitais.
entre outros sistemas.

    Logo após o desenvolvimento de sistemas especialistas específicos, foi reconhecido que eles eram fáceis de programar, mas que a parte que exigia raciocínio era a aquisição de conhecimento. Isto pode levar de 2 a 10 anos, dependendo do tamanho do sistema. Portanto, foi feito um grande progresso na direção do desenvolvimento na parte de softwares genéricos de sistemas especialistas.

    Grande parte da dificuldade inicial está na forma pobre que os desenvolvedores se firmaram na prática
clínica, indo algumas vezes contra os métodos utilizados pelos profissionais da área de saúde.

    Mesmo com sua descrença, a tarefa de desenvolver tais sistemas tem provado sua confiabilidade em
muitas ocasiões. Hoje, o que se tem em mente é preencher um papel apropriadamente e assim se ter
benefícios reais com a utilização de programas inteligentes.
 


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