09/10/2017 06:40, postada por Elio Bolognese Neto

O futuro com a neurotecnologia

 Com o crescente avanço de práticas terroristas por todo o mundo, pesquisadores vêm buscando meios de usar dos artifícios da tecnologia para proporcionar mais segurança à população. Os ataques geralmente ocorrem em lugares com aglomeração de pessoas, como é o caso dos aeroportos, que já foram alvos. Um exemplo disso é o atentado que ocorreu no Aeroporto Internacional Atatürk, Istambul, em 2016 que deixou centenas de pessoas feridas.

 Neste contexto, no final do mês de agosto, ocorreu em Arusha, Tanzânia, o TEDGlobal (Technology, Entertainment and Design). Segundo o próprio site do evento, TEDGlobal é uma conferência anual que celebra a engenhosidade humana explorando ideias, inovações e criatividade de todo o mundo. Nele, esteve presente Oshiorenoya E. Agabi, de 38 anos, e sua equipe da companhia Koniku, situada no Vale do Silício, na Califórnia.

 Durante a conferência, Agabi apresentou o que ele e sua equipe chamam de Koniku Kore, um dispositivo capaz de reconhecer o cheiro de explosivos e que poderia ser usado para aumentar a segurança de lugares como os aeroportos.

 Há algum tempo, pesquisadores tentam criar dispositivos que imitem funções do cérebro humano. Por um lado, somos cientes de que os computadores podem sim ser superiores a algumas funcionalidades do ser humano, como fazer cálculos em frações de segundos. Porém, quando o assunto envolve funções cognitivas, em geral, o cérebro ainda ganha. Em entrevista para a BBC, Agabi, que trabalha na área de neurotecnologia, anunciou que ele e sua equipe criaram um dispositivo que não usa puramente do silício, e sim de neurônios de ratos para tal façanha. Além disso, ele afirmou "Você pode dar instruções aos neurônios sobre o que fazer - no nosso caso, dizemos para fornecer um receptor que possa detectar explosivos".

 Mas e se pudéssemos ir além e instruí-los a detectar doenças? Pois bem, uma notícia do The New York Times de maio deste ano informou o que seria uma visão para um futuro bem próximo!

 Billy Boyle, cofundador e presidente de operações da Owlstone, fabricante de sensores químicos na Inglaterra começou sua empresa com a ideia de detectar explosivos e armas químicas. Porém, depois de passar por situações complicadas com entes queridos sofrendo de uma doença que vem ganhado força como o câncer, ele dedicou-se a criar dispositivos que detectassem tal doença.

 A ideia parte dos princípios da medicina tradicional chinesa, assim como consta no livro do Dr. Tom Sintan Wen, Acupuntura Clássica Chinesa, que indica que o corpo humano revela muito mais do que pensamos. Como é o caso dos odores emitidos durante nossa vida, através deles, podemos identificar alguns tipos de doenças, do estado de saúde de um indivíduo e diversos outros fatores importantes para a medicina como um todo.

 A notícia do The New York Times revela que o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido está financiando um estudo clínico com três mil pessoas para testar a capacidade do sensor em diagnosticar o câncer de pulmão. Além disso, explica que o sensor é um chip de silício com diversas outras camadas de metal e pequenos eletrodos de ouro. As moléculas em uma amostra de odor primeiro são ionizadas – recebem uma carga – e, em seguida, uma corrente elétrica é utilizada para mover apenas as substâncias químicas de interesse para o diagnóstico por meio dos canais desenhados no chip, onde podem ser detectadas.

 Outro exemplo de tal tecnologia que está sendo desenvolvida e testada é a do químico israelense, Hossam Haick, que também foi afetado pelo câncer e luta para conseguir meios mais fáceis de detectar tal doença. Haick e seus colegas publicaram um artigo na revista ACS Nano mostrando como sua inteligência artificial é capaz de distinguir os cheiros entre 17 doenças com até 86% de precisão.

 Como pudemos ver, várias dessas tecnologias estão sendo desenvolvidas por todo o mundo. Assim, podemos esperar que num futuro próximo a neurotecnologia esteja bem mais presente nas nossas vidas.

Notícia BBC | Notícia New York Times | Livro Acupuntura