24/12/2017 18:52, postada por Arthur Rodrigues Batista

Slaughterbots – eticamente corretos?

 

A utilização dos conhecidos drones vem se popularizando cada vez mais, seja pela  facilidade de seu uso, diversificação na área em que é utilizado ou até mesmo pelo preço mais acessível. Paralelamente a isso, estão as Inteligências Artificiais (IA), que possuem capacidades de aprendizado além de tomarem decisões de forma independente. O desenvolvimento das IAs está se tornando cada vez mais frequente e sofisticado e novas tecnologias surgem envolvendo estas duas áreas. Assim, cria-se a discussão, a partir de qual ponto isso pode se tornar um problema?  

Os Slaughterbots – ou drones assassinos – são minidrones capazes de reconhecer todo o cenário geográfico ao seu redor e, verificando a existência de qualquer tipo de atividade suspeita, atiram em seu alvo de forma autônoma e precisa, isto é, sem que haja a necessidade de um comando feito por um ser humano.

O uso de drones militares em conflitos remonta na década de 50, quando os VANTs (Veículo Aéreo Não-Tripulado) eram controlados remotamente via sinais de rádio. Desde tal época até os dias atuais, a tecnologia aplicada ao uso de veículos autônomos evoluiu significativamente, permitindo que hoje fosse possível que aeronaves executassem operações militares sem auxílio humano.

Similar à humana, a inteligência artificial busca, por meios computacionais, a capacidade racional que os seres humanos têm em resolver determinados problemas, pensar, ou, no geral, ser inteligente. Alguns cientistas especialistas na área, no entanto, questionam se algum dia uma máquina será capaz de ignorar seus objetivos iniciais para quais fora projetada, e não tratar de forma diferente um criminoso de um inocente.

Revolucionários, os VANTs possibilitaram que uma única nação fizesse operações de busca e destruição sem colocar em risco seu efetivo humano, o que, em geral, é fator de peso no planejamento de tais ações. Dessa forma, manobras de combate se tornam menos arriscadas e, por consequência, mais frequentes.

Figuras como Elon Musk, cofundador e CEO da Tesla Motors, e Mustafa Suleyman, cofundador da DeepMind Technologies, posicionam-se de maneira contrária à fabricação desse tipo de tecnologia. Em uma carta aberta, os co fundadores escreveram “Uma vez desenvolvidas, as armas autônomas letais permitirão combater conflitos armados em uma escala maior do que nunca, e em intervalos de tempo mais rápidos do que os humanos podem compreender. Estas podem ser armas de terror, armas que os déspotas e os terroristas utilizam contra populações inocentes e armas pirateadas para se comportarem de maneiras indesejáveis.”

Os fundadores pediram que os sistemas de armas autônomas letais fossem adicionados à lista de armas proibidas pela convenção da ONU sobre Certain Conventional Weapons (CCW), que entrou em vigor em 1983, já incluindo armas químicas e lasers potencialmente perigosos.

Toby Walsh, professor de inteligência artificial na Universidade de  New South Wales em Sydney, disse: “Quase todas as tecnologias podem ser usadas para o bem e para o mal, e a inteligência artificial não é diferente. Ela pode ajudar a enfrentar muitos problemas que a sociedade tem atualmente: desigualdade e pobreza, os desafios colocados pelas mudanças climáticas e a atual crise financeira global. No entanto, a mesma tecnologia também pode ser usada em armas autônomas para industrializar a guerra. Precisamos tomar decisões hoje, escolhendo qual destes futuros desejamos ".

Essa tecnologia é uma ferramenta muito poderosa, como já exemplificada anteriormente, pode ser usada tanto para o bem  quanto para o mal. Se bem utilizada, ela pode ajudar consideravelmente na proteção dos cidadãos, no entanto, no contrário, pode acarretar em efeitos devastadores. É preciso ter consciência para utilizá-la, colocando na balança se seus prós realmente se sobressaem em relação aos contras.

 

Referências:

  1. http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,a-ameaca-do-drone-inteligente-imp-,1011318  

  2. http://elegante.pt/2017/11/14/drones-assassinos-assustadoramente-inevitavel/     

  3. http://www.theamericanconservative.com/articles/time-has-come-isis-improvising-own-killer-drones/       

  4. https://www.theguardian.com/technology/2017/aug/20/elon-musk-killer-robots-experts-outright-ban-lethal-autonomous-weapons-war     

  5. http://www.journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0967010612450207