14/05/2018 15:33, postada por Gustavo Luiz Furuhata Ferreira

Criptomoedas

As criptomoedas são códigos virtuais que podem ser convertidos em valores reais.  Assim como dinheiro físico, essas moedas digitais possuem um sistema para impedir falsificações, que se dá através da criptografia, códigos com chaves grandes o suficiente para tornar inviável de quebrá-la simplesmente por meio de tentativa e erro.

Elas são descentralizadas, ou seja, não há alguém intermediando a realização de trocas comerciais, e, com isso, as taxas para transferência se tornam bem mais baixas e possibilita que a mesma seja feita para qualquer lugar do mundo, pois tudo ocorre através da internet. Por ocorrer em redes públicas, todos os interessados que estejam nessa rede podem visualizar os históricos de transações das criptomoedas.

Existem milhares de criptomoedas, algumas valendo desde centenas de milhares de reais até aquelas que estão abaixo de 1 centavo. Isso se dá a vários fatores, como número de moedas em circulação, investidores, divulgação, etc. Por não se saber o que pode acontecer com essas moedas de um momento para outro, esse tipo de investimento é considerado de risco.

Abaixo falaremos sobre algumas delas:


 

Bitcoin

Considerada por muitos como a primeira criptomoeda, o bitcoin foi apresentado em 2008 e iniciou sua circulação em 2009. Foi criado por um programador, ou um grupo de programadores, de pseudônimo Satoshi Nakamoto. Embora haja várias teorias, ainda não se sabe a verdadeira identidade de Nakamoto.

Atualmente, cada bitcoin possui um valor de mais de trinta mil reais, sendo que seu valor de mercado é de mais de R$ 500 bilhões. Há dois meios de se obter bitcoins: comprando ou minerando. Para comprá-las, basta fazer cadastro em algum sistema web ou mobile especializado em transferências de bitcoins, fazer uma transferência bancária para a conta e começar a investir.

A segunda opção consiste em gerar um novo bitcoin através da disponibilização de processamento de sua máquina. De forma resumida, o processo funciona da seguinte forma: a pessoa disponibiliza sua máquina para que esta resolva diversos problemas matemáticos nos quais vão sendo aprovadas as compras e vendas de bitcoins feitas pelos investidores, sendo que a cada conjunto de problemas resolvidos, ocorre o fechamento de um bloco, levando mineradores a receberem como recompensa um fração de bitcoin. Esse sistema constitui o blockchain, que é a base do bitcoin e outras moedas digitais.

Assim como dinheiro físico, que é produzido até um limite para evitar a desvalorização, o bitcoin também possui um limite, que é estipulado em 21 milhões de unidades. Atualmente, já está em circulação mais de 17 milhões, ou seja, está cada vez mais difícil gerar essas moedas. Isso ocorre devido ao fato de que os problemas matemáticos estão cada vez mais difíceis de serem resolvidos, o que leva a necessidade de máquinas muito potentes. Essa dificuldade poderá causar, com o tempo, um aumento em seu valor, devido ao aumento da demanda.

 

Ether

Diferentemente de outras criptomoedas, o ether está ligado a uma plataforma chamada Ethereum e só pode ser usado dentro dela.

O Ethereum, lançado em agosto de 2014, é um software que deve ser baixado e permite fazer aplicações descentralizadas ou do tipo dapps - ou seja, via aplicativos que operam "exatamente como os programas, sem possibilidade de interrupção, censura, fraude ou interferência de terceiros", nas palavras da associação suíça que regula a Fundação Ethereum.

A plataforma usa a tecnologia blockchain, conhecida pela segurança e discrição. Ambos os atributos são considerados ideais para a criação de mercados digitais. É possível, por exemplo, dar instruções de como você deseja movimentar certos montantes, no caso do euro superar a libra, e a plataforma se encarrega de que isso aconteça sem necessidade de intervenção humana.

As operações realizadas no Ethereum devem ser pagas em ether. Cada ação que a máquina executa pelo usuário tem um preço. De acordo com a fundação, a cobrança garante que os dapps criados na plataforma sejam de qualidade.

Durante a maior parte de 2015, o valor de ether não ultrapassou US$ 1. Porém, até o final de 2017, o ether havia tido uma valorização de 5000%, valendo até US$ 443,60. Com isso, seu valor de mercado se aproximou dos US$ 40 bilhões.

 

Bit20

Uma das mais valorizadas criptomoedas, o Bit20 foi lançada em agosto de 2015. Seu valor, de aproximadamente 3 milhões de reais, se dá pois só existe uma moeda dela em circulação. O Bit20 tem como base um índice de criptomoedas na forma de um smartcoin na plataforma BitShares.

O índice Bit20 recebe as 20 maiores criptomoedas por capitalização de mercado e é revisado automaticamente a cada mês sendo que seu índice segue o crescimento dos projetos.

Se parte das moedas perder força, elas serão automaticamente removidas do índice no próximo mês para dar lugar às novas moedas que estão com um desenvolvimento melhor.

 

Litecoin

Esta criptomoeda foi criada em 2011 por Charlie Lee, ex-funcionário da Google. É considerada como uma alternativa ao bitcoin. O litecoin tem um tempo reduzido para confirmar novas transações e tem um limite de 84 milhões de unidades, contra 21 milhões do bitcoin. Atualmente estão em circulação cerca de 54 milhões de moedas, tendo um valor de mercado total estimado em US$ 13.50 bilhões.

 

Ripple

A empresa de software Ripple foi criada em 2012 pelos ex-desenvolvedores de bitcoins Ryan Fugger, Chris Larsen e JedMcCaleb, e sua moeda digital, XRP, é vista como um sucessor lógico do bitcoin. O Ripple é também um sistema onde qualquer moeda, incluindo o bitcoin, pode ser negociada, além disso, o sistema conecta bancos, provedores de pagamento, trocas de ativos digitais e empresas através da RippleNet para enviar dinheiro globalmente sem fricção. A Ripple negociou sua tecnologia blockchain a mais de 100 bancos e atualmente existem cerca de 40 bilhões de XRP em circulação, para um máximo de 100 bilhões que podem existir, sendo que seu valor de mercado é de aproximadamente US$ 95,45 bilhões.

 

Petro

A mais nova criptomoeda é o petro, anunciado pelo governo da Venezuela em dezembro de 2017, tendo sua pré-venda iniciada em 20 de fevereiro de 2018. O diferencial do petro em relação às outras criptomoedas, é que este é lastreado em petróleo, o que significa que seu valor nunca chegará a zero, valendo sempre o preço do barril de petróleo venezuelano do dia anterior. Ao lançar oficialmente o petro, no dia 23 de março, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou que compradores de 133 países reservaram a moeda, pagando 5,25 bilhões de dólares, durante os 30 dias em que o petro esteve em pré-venda.

O petro inicialmente será utilizado apenas para transações internacionais e investidores institucionais, sendo que seu objetivo é conseguir burlar as sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos à Venezuela, uma vez que as transações não são feitas em dólar e, consequentemente, não passam pelas instituições financeiras americanas. Dependendo do sucesso da criptomoeda, o governo venezuelano poderá utilizar no futuro o petro como moeda local, substituindo o bolívar. Essa estratégia obviamente não agradou os Estados Unidos, e assim, três dias antes do começo das negociações do petro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump atacou a criptomoeda, proibindo cidadãos norte-americanos e entidades sob jurisdição dos EUA de comprá-la.

A maior preocupação dos Estados Unidos é que caso o petro dê certo, poderá dar brecha para a criação de outras criptomoedas que poderão enfraquecer a política americana de aplicar sanções econômicas contra outros países. Assim, Rússia, Irã, Coreia do Norte, Síria e Cuba poderiam encontrar uma forma de escapar das garras dos Estados Unidos.

Não à toa, a Rússia de Vladimir Putin também estuda uma versão digital do rublo, o criptorublo, também para circunavegar as sanções internacionais. Desde o lançamento do petro foi ventilado que Moscou estaria por trás da criação do mesmo. Um indício seria a presença, no lançamento da criptomoeda venezuelana, de dois conselheiros russos, Denis Druzhkov e Fyodor Bogorodsky, ambos com laços com o Kremlin e com bilionários próximos. Maduro agradeceu aos dois na cerimônia pela ajuda em lutar contra o “imperialismo americano”. Putin, reeleito em março, também teve um encontro com Vitalik Buterin, o criador do etherium, o que demonstra seu interesse em criptomoedas.


 

Referências:

https://theintercept.com/2018/03/30/criptomoeda-petro-maduro-venezuela-trump/

http://www.bbc.com/portuguese/geral-40380808

http://www.infomoney.com.br/mercados/bitcoin/noticia/7197977/especial-criptomoedas-que-podem-ser-novo-bitcoin-2018

http://www.infomoney.com.br/mercados/bitcoin/noticia/7107016/moeda-rival-bitcoin-renova-maxima-historica-sobe-mais-000-neste