Lógica Paraconsistente
Os sistemas
de computação desenvolvidos, seja em IA como de modo geral,
precisam e utilizam lógica para seu desenvolvimento. A lógica
que é utilizada (pelo menos a mais utilizada) é a chamada
tradicional que aceita apenas dois valores: verdadeiro ou falso (falando
a grosso modo). Contudo cada vez mais tem-se necessidade de uma lógica
que não represente e aceite somente esses valores.
Segundo a explanação
do próprio professor Newton, em entrevista à Folha de São
Paulo, lógica "pode ser entendida como o estudo dos processos
pelos quais certas sentenças ou proposições podem
ser deduzidas de outras". Sabemos que a lógica clássica
não admite contradições, pois não podemos afirmar,
com base nela, que uma sentença e sua negação são
ambas verdadeiras. Esta é a principal característica que
se atribui a lógica por ele "inventada", aceitar contradições.
Contudo, segundo o próprio filósofo Newton, ela não
veio para por fim à lógica clássica, mas apenas trata
de um domínio maior de aplicação, do qual a outra
é um caso particular.
Sua aplicação
inicial seria no campo da ciência, sobre os assuntos de interesse
do professor, como a física, contudo no campo da informática
ela encontrou um bom motivo de ser. Por exemplo, um sistema especialista
de suporte a diagnósticos médicos poderia tratar dos dados
eventualmente contraditórios obtidos do estado de saúde do
paciente. Outra aplicação seria, é claro, no campo
da robótica, que é o assunto tratado nesta página.
Um grande problema que observamos
quando falamos de robôs inteligentes, falando a grosso modo, é
o fato deles, com o uso da lógica tradicional, serem muito "caxias",
ficando longe do modo como uma pessoa pensa. Por esse motivo tem se falado
e utilizado de lógicas não convencionais, como esta que estamos
apresentando. Um ser humano consegue raciocinar com base em informações
contraditórias e chegar a alguma conclusão.
Na matéria da Folha de
São Paulo sobre o assunto, o professor Jair Minoro Abe da Escola
Politécnica da USP e da Unip dá um exemplo de um dispositivo
que se utilizaria de tal lógica. Um robô móvel poderia
ter um sensor visual que identificaria obstáculos, como um olho,
e também um sonar, que utiliza ecos de ondas sonoras para localizar
objetos no caminho. Chegando diante de uma parede de vidro o sensor ótico
não a detectaria, informando ao robô que não há
nenhum obstáculo à frente, mas o sonar consegue "ver"
a parede, informando isso à máquina. Chegamos aí a
duas informações contraditórias sobre o caminho que
o robô deve processar e tomar alguma atitude. Ele poderia tomar a
decisão de contornar a tal parede. Já um mecanismo que se
baseia na lógica tradicional "travaria" nesta situação.
O professor Abe e colegas desenvolveram
um programa chamado ParaLog (corruptela de Prolog) que reconhece as
contradições.
fonte: [FOL97]
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